O que fazer se for vítima do Golpe do falso gerente?

Nos últimos anos, o golpe do falso gerente se consolidou como uma das fraudes bancárias mais sofisticadas e prejudiciais. Utilizando técnicas de engenharia social, os criminosos exploram a confiança das vítimas ao se passarem por funcionários de instituições financeiras. Em muitos casos, os prejuízos ultrapassam dezenas de milhares de reais, e a recuperação depende de ação rápida e da orientação de profissionais especializados.


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Como o golpe do falso gerente é aplicado

O golpe começa, na maioria das vezes, com um contato telefônico, e-mail ou mensagem de WhatsApp. O criminoso se identifica como gerente do banco da vítima e informa sobre uma suposta tentativa de fraude, compra indevida ou movimentação suspeita.

O detalhe é que os golpistas utilizam ferramentas de spoofing, que fazem com que o número exibido na tela do celular pareça o mesmo da central oficial do banco. Com isso, a vítima se sente segura para continuar o atendimento.

Durante a conversa, o falso gerente induz a vítima a seguir instruções de “segurança”, que na verdade servem para permitir o acesso dos criminosos à conta bancária. Entre as práticas mais comuns estão:

  • Solicitar instalação de aplicativos de acesso remoto (como AnyDesk ou TeamViewer), sob o pretexto de “analisar o problema”.
  • Pedir senhas, tokens ou códigos de autenticação.
  • Orientar a transferência para uma “conta segura”, alegando que isso protegerá o saldo do correntista.
  • Encaminhar mensagens falsas com aparência de notificações bancárias legítimas.

Em poucos minutos, os valores são transferidos via PIX para contas de “laranjas” e redistribuídos rapidamente, o que dificulta a recuperação imediata.


Por que esse golpe é tão eficaz

O sucesso do golpe do falso gerente não depende apenas da tecnologia, mas da pressão psicológica. Os criminosos criam um senso de urgência — “sua conta está sendo invadida”, “precisamos agir agora” — e impedem que a vítima reflita ou entre em contato com o banco pelos canais oficiais.

Além disso, os golpistas estudam o comportamento e o perfil da vítima. Muitos conseguem informações pessoais por meio de vazamentos de dados, redes sociais ou golpes anteriores, o que torna o discurso ainda mais convincente.


Principais sinais de alerta

Saber identificar os indícios é o primeiro passo para evitar ser enganado:

  1. Contato inesperado afirmando que há fraude na conta.
  2. Solicitação de senha, token ou código de verificação. Nenhum banco faz esse tipo de pedido.
  3. Pedido de transferência para conta de segurança. Instituições financeiras não realizam esse procedimento.
  4. Pressão e urgência. O golpista insiste para que a vítima aja rapidamente.
  5. Ligação de número “oficial”. Mesmo que o número pareça legítimo, ele pode ser falsificado.

Se algum desses sinais aparecer, encerre a conversa imediatamente e entre em contato com o banco somente pelos canais oficiais, nunca retornando o número que ligou.


O que fazer ao perceber o golpe

A rapidez da reação é essencial. As medidas a seguir aumentam as chances de recuperar parte ou todo o valor perdido:

  1. Comunique imediatamente o banco sobre a fraude. Solicite o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), previsto pelo Banco Central, que permite o bloqueio temporário das quantias transferidas.
  2. Registre um boletim de ocorrência, preferencialmente eletrônico, detalhando o golpe, valores e contatos utilizados.
  3. Guarde provas: prints de conversas, números de telefone, e-mails e comprovantes de transações.
  4. Procure orientação jurídica especializada, pois a instituição financeira pode ser responsabilizada civilmente caso tenha havido falha de segurança ou negligência na detecção das operações suspeitas.

Em situações de fraude bancária, a responsabilidade do banco está prevista no artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor, que estabelece que a instituição responde pelos danos causados independentemente de culpa, quando há defeito na prestação do serviço.


Responsabilidade do banco e caminhos jurídicos

Quando o golpe é aplicado mediante falha de segurança — como ausência de bloqueio automático de movimentações atípicas ou liberação de PIX fora do perfil do cliente —, o banco pode ser responsabilizado judicialmente.

O entendimento consolidado em tribunais é de que o consumidor não pode arcar sozinho com prejuízos de fraudes previsíveis, sobretudo quando a instituição dispõe de mecanismos tecnológicos capazes de evitá-las.

A atuação de um advogado especialista em resolver fraude bancária é fundamental nesse processo. Esse profissional pode:

  • Analisar se houve falha de segurança do banco;
  • Solicitar bloqueio judicial de valores;
  • Ingressar com ação para restituição e indenização por danos materiais e morais;
  • Representar a vítima em tratativas com as instituições financeiras e órgãos reguladores.

Prevenção: como evitar cair no golpe do falso gerente

Prevenir continua sendo o caminho mais eficaz. Algumas práticas reduzem significativamente o risco de ser vítima:

  • Nunca compartilhe senhas por telefone, e-mail ou mensagem.
  • Desconfie de contatos não solicitados que afirmam ser do banco.
  • Verifique o número de protocolo e nome do atendente, mas ligue de volta para o canal oficial da instituição antes de seguir qualquer orientação.
  • Desative limites altos de transferências via PIX e configure alertas automáticos.
  • Evite divulgar dados pessoais nas redes sociais, especialmente informações financeiras.
  • Atualize seus aplicativos bancários diretamente nas lojas oficiais (Google Play ou App Store).

Mais informações sobre as táticas utilizadas pelos criminosos podem ser consultadas na página Golpe do Falso Gerente, que explica detalhadamente os mecanismos de fraude e orienta sobre medidas de proteção.


A importância de buscar ajuda especializada

O golpe do falso gerente representa mais do que uma perda financeira — ele afeta a confiança e o senso de segurança das vítimas. Por isso, agir com orientação profissional é essencial.

Advogados especializados em fraudes bancárias, como os da área de resolução de fraudes bancárias, auxiliam na recuperação de valores, acionamento do banco e preservação de provas digitais. Cada caso deve ser analisado individualmente, considerando o perfil da vítima, os mecanismos de segurança do banco e o tempo decorrido desde o golpe.

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